9 de julho de 2015

O DESPERTAR DE UM NOVO HOMEM| Parte I



Certa noite, já no ano de 1906, João chegara para rezar junto à Cruz do Alfredinho sob o cambará que lhe dava abrigo e, após ter acendido uma vela, ali ficara rezando e meditando, até que adormeceu de cansaço, depois de beber um goles da garrafa que trazia consigo (ainda antes do "chamado" João de Camargo era alcoólatra, vício que infelizmente toma muitos nos dias idos e atuais). Acordou horas depois com o barulho dos trovões e o brilho dos relâmpagos que anunciavam uma enorme tempestade. Sobressaltado, João voltou do sono e ouviu nitidamente uma vos que lhe dizia: "Ainda continuas a desobedecer-me? Será que não me entendes? Será que não queres mesmo cumprir as ordens que trago do Altíssimo? Vamos, João!"
Estupefato, João olhava para aquela imagem de mulher de rosto lindo, envolvido em uma auréola de brilho, um rosto que se parecia com alguém conhecido. Ela continuava a lhe falar: "Vamos, João, põe fora essa garrafa.
Prepara-te para receber a incumbência de uma missão para a qual foste eleito pela bondade e misericórdia de Deus".
Continua...

7 de julho de 2015

A ESCOLA DA ÁGUA VERMELHA




A reportagem divulgada pelo jornal Cruzeiro do Sul na semana passada, sobre o início da escolarização do negro em Sorocaba, que teve a colaboração do místico João de Camargo, despertou lembranças em dois irmãos que estudaram na escola fundada por Nhô João. Conforme eles, o prédio ainda está em pé. Nos livros e registros sobre João de Camargo, há poucas informações sobre a escola, não sendo possível saber detalhes do funcionamento, como por exemplo se existiram dois prédios. De acordo com Claudinei Brito, administrador da Associação Espírita e Beneficente Capela do Senhor do Bonfim, conhecida como Capela de João de Camargo, é provável que tenha sido inaugurado inicialmente um prédio, na década de 1930, mas que teria sido desativado depois que a ex-esposa de João de Camargo, Escolástica do Espírito Santo, herdou parte do terreno do místico, justamente onde ficava a escola, que com o passar dos anos foi demolida. A instituição de ensino, então, teria mudado para o prédio anexo à igreja e permanecido, conforme registros, até pelo menos 1961. O local continua o mesmo até hoje. 
José Luiz Negrão, 65 anos, e Domiciano Negrão, 64 anos, contam que frequentaram a Escola Mista da Água Vermelha, no prédio anexo à igreja. Em visita ao espaço, eles lembraram da professora, Ondina Campolim, da distribuição das carteiras, das travessuras e também dos castigos. "A dona Ondina vinha dar aula de charrete, algumas vezes nos escondíamos debaixo da ponte, esperávamos ela passar e aí a gente matava aula pra ir nadar", conta José.
Os dois estudaram ali porque a avó, dona Maria, morava em uma casa pertencente à Capela, onde hoje funciona o velário. "Nossa avó morava com o tio Lupércio. Ele tomava conta da capela, por isso residiam ali", diz Domiciano.
Marlene do Carmo Yoshino, 65 anos, prima de José e Domiciano, afirma ter ouvido falar que a primeira escola foi desmanchada depois da morte de João de Camargo. "Não tenho certeza quando iniciou a outra escola, mas também estudei lá em 1956."

Alzira Belini das Neves, 90 anos, mora há mais de 60 anos no terreno onde teria funcionado o primeiro prédio da Escola Mista da Água Vermelha. Dona Alzira disse que não chegou a ver a escola funcionando, mas é testemunha de que o prédio existiu. Ela conta que quando se mudou para lá, fazia oito anos que João de Camargo tinha falecido e a ex-esposa dele, Escolástica, morava ali. 
José Carlos de Campos Sobrinho, o Zeca, co-autor juntamente com Adolfo Frioli do livro João de Camargo de Sorocaba - O nascimento de uma religião, publicado em 1999, afirma que "o correto é se fiar mesmo nos depoimentos orais". Conforme ele, o salão que fica anexo à Capela, à esquerda, é que foi apontado como sendo a escola, mas ele não chegou a conhecer a dona Alzira. "Documento acho que nem existe. Se eu tivesse ouvido outra informação naturalmente teria procurado. Essa é uma nova informação e acredito que outras podem surgir."

Baseado em suas pesquisas, Zeca afirma que pela atitude de ter fundado uma escola, João de Camargo foi citado em uma reportagem publicada no Diário Nacional de 27 de julho de 1930. Esse jornal carioca o apontou como um exemplo para a política educacional do País. Um negro, ex-escravo e analfabeto, dando mais importância ao ensino do que os órgãos públicos.
Zeca ainda lembra que este ano completam-se 100 anos que João de Camargo criou em sua igreja a Associação Espírita e Beneficente Capela do Senhor do Bonfim, que só foi reconhecida como pessoa jurídica em fevereiro de 1921. Este também é o centenário de fundação de outra iniciativa de João de Camargo, o Grupo Musical São Luís, que animava cordões carnavalescos de Sorocaba.

POEMAS E HOMENAGENS A NHÔ JOÃO




A Felicidade forma uma equação de grande valor de vida:
 
 
 
Equação: F= PN + CP + PC + FF
 
 
 
                   F = Felicidade
 
                   PN = Posse do Necessário
 
                   CP = Consciência Pura
 
                   PC = Prática da Caridade
 
                   FF = Fé no Futuro
 
Observação: aplicando esta fórmula na própria vida, cada um estará vivenciando em si mesmo a sua Felicidade!
 
  
FELICIDADE é também a FELIZ IDADE!
 
 
Cada um deve procurar viver bem o seu momento, com toda intensidade a sua “Feliz Idade”, pois cada um tem a sua no momento presente!
 
“Viva bem para alcançar a sua Felicidade hoje! Agora! Em cada instante!
 
Tenha sempre a sua “Feliz Idade”!
 
FELICIDADE!
 
Colaboração de: Antonio Paulo Malzoni

ACUSAÇÕES CONTRA O TRABALHO DE NHÔ JOÃO NO JORNAL CRUZEIRO DO SUL



De todas as partes do Estado costumavam vir a esta cidade, atraídos pela fama do curandeiro JOÃO DE CAMARGO, inúmeros forasteiros, à procura de remédios que, dizem, este indivíduo fornece para cura de todas às moléstias. Toda essa gente, porém, vai invadindo os terrenos e chácaras ali existentes e nas proximidades, soltando animais nos pastos, sem a respectiva licença do dono, danificando plantações e sortindo-se anda de tudo que encontram.*

Dezoito vezes fora preso,
Porém, sempre resignado,
Obedecia ao protetor,
Que estava sempre ao seu lado.

* Cruzeiro do Sul, 16 de abril de 1913. Texto inicial que abria um inquérito contra o trabalho de Nhô João.
Tema: "A Policia"
Ficou comprovada a falsidade da denúncia anônima, com a absolvição posterior de João de Camargo no Tribunal do Júri.

FILME CAFUNDÓ COMPLETO

FATOS DA VIDA DE JOÃO DE CAMARGO



A história do terno do capitão

Isaura contou uma série de casos envolvendo Nhô João ao jornalista Alcir Guedes. Começamos com a história do terno do Capitão Grandino. Em um certo 1º de Janeiro, dia que a imagem de Nossa Senhora Aparecida deixa a igreja de Aparecidinha e segue nos ombros do povo até a Catedral de Sorocaba, Nhô João queria participar da festa. Mas, em dificuldades, não tinha uma roupa decente para acompanhar a imagem Santa. Ir com seus andrajos seria falta de respeito. De repente, uma rápida olhada no varal da casa do Capitão Grandino, para quem trabalhava, e o problema estava resolvido: balançando ao vento estava um bonito terno branco que lhe servia como se tivesse sido feito sob medida. Não teve dúvidas: apanhou o terno e, todo formoso e elegante, foi encontrar a Santa. Na volta, tirou o terno alheio, lavou, alisou bem e devolveu-o ao varal de onde o havia tirado. No dia seguinte, em vez de se enfezar, o Capitão Grandino, dono do terno, riu muito quando soube da história e deu a roupa de presente a Nhô João, dizendo que a usasse sempre que fosse participar da romaria.
Ela lembrou ainda que Nhô João também trabalhou para seu bisavô, Francisco Antônio Santos de Oliveira, que foi casado com uma índia "a quem deu o nome de Ana". Os laços que uniam a família de Isaura a Nhô João foram ainda mais estreitados com episódio envolvendo seu filho Armentino. Aos três anos de idade, o menino ainda não andava como as outras crianças, apenas se arrastava pelo chão ou engatinhava. Ela afirmou que cansou de levar Armentino a diversos médicos e a benzedeiras, até que seu marido, Antônio, levou o menino para Nhô João ver. "Daqui a três dias sua mulher venha conversar comigo", disse ele. No dia aprazado, Isaura lá esteve e ouviu estas palavras de Nhô João: "Mecê tem uma missão: fazer caridade. E mude de casa. Bem depressa". Depois de lhe dar algumas folhas para fazer banhos para Armentino, Nhô João disse: "E tem mais. Na festa de São João, em Votorantin, visto o menino de São João e, com ele, acompanhe a procissão. Mecê tem fé? Se tem, vai dar tudo certo".
Isaura fez tudo o que Nhô João determinou. E, segundo ela, a fé fez milagre: durante a procissão, Armentino, devidamente vestido como São João, começou a andar pela primeira vez em seus três anos de vida, sob as lágrimas da família. Ela disse que deixou uma foto do filho na igreja São João Batista, em Votorantin, para perpetuar a memória da cura.
O jornalista Alcir Guedes contou ainda o caso do músico Avelino Soares, que era mestre da Banda João de Camargo e trabalhava na Fábrica Fonseca, na rua Francisco Scarpa. Ele morava com a família na vila de Nhô João, na Água Vermelha, quando lhe saiu em furúnculo debaixo do braço, o que o impossibilitou de trabalhar por mais de quinze dias. A família começou a passar necessidades. Nhô João, percebendo o que ocorria, mandou entregar uma compra para seu mestre da banda. Valente, Avelino tentou cortar lenha naquela mesma tarde, sem conseguir, pois estava sem forças no braço afetado. 
Nhô João, que tudo assistia de longe, mandou que alguém fosse ajudar Avelino. Chamando-o, disse: "Mestre Avelino, vou curar mecê com ajuda do Senhor. Vá até aquele campo e logo no começo do caminho, assim pelo lado direito, arranque uma touceira de capim Favorito".Confuso, Avelino explicou que não conhecia esse tipo de capim. Nhô João replicou: "Vá que mecê vai por a mão exatamente em cima dele. Leve para sua casa, ferva nuns dois litros de água e banhe o braço, no lugar do tumor. Faça isso hoje e amanhã volte para o serviço". No dia seguinte, Avelino estava curado: o furúnculo vazara durante a noite e o braço readquirira sua força e movimentos normais.
O trabalho de Guedes faz referência ainda a um fotógrafo chamado Barbosa, que aos domingos e dias santos tirava retratos na porta da capelinha. Afinal, as pessoas que vinham visitar a capela, agradecer uma cura ou uma graça recebida, faziam questão de deixar uma fotografia em uma sala da igrejinha, fosse nos pés de alguma imagem de santo, fosse perto do retrato do Monsenhor João Soares.
Alcir Guedes redigiu desta forma o final do último parágrafo da segunda reportagem de uma série de quatro sobre Nhô João: "Barbosa ajeitava a pessoa, colocava o maquinão no ponto, avisava 'agora quieto', enfiava a cabeça no pano preto e disparava uma lâmpada que enchia de fumaça o ambiente: 'daqui a pouco entrego o retrato...'. Chegava o seguinte e repetia-se a cena por todo o dia, principalmente aos domingos e dias santos. Nos outros dias, o Barbosa tirava fotografias, com o mesmo processo, no Largo do mercado (...) Mais dois detalhes: Barbosa tinha um circo, cujos integrantes eram moradores do próprio bairro. O circo nunca saiu de Sorocaba. Barbosa também escreveu dois livros sobre João de Camargo, que se evaporaram nas mãos do povo".

3 de julho de 2015

ORAÇÃO DE JOÃO DE CAMARGO



GUIA Glorioso JOÃO DE CAMARGO, vós que tem a graça recebida de Deus de defender-nos contra o mal, e nos ajuda a receber o bem, peço-vos Senhor, que retire todo mal, que nos tortura, defendei-nos também contra as pessoas que nos desejam mal.
Livrai-nos das invejas que nos perseguem em nossos lares e onde estivermos trabalhando.
Assim seja
Com a prece ao senhor JOÃO DE CAMARGO
Será abençoado por DEUS

JOÃO DE CAMARGO BARROS
* 05/07/1858
 -|- 28/09/1942   

Faça esta prece todos os dias pela manhã ou a noite!
Deixe uma vela branca consagrada a Deus, a seu anjo de guarda e a JOÃO DE CAMARGO